A síndrome dos ovários policísticos, historicamente conhecida pela sigla SOP e reconhecida como uma das desordens endócrinas mais prevalentes em mulheres em idade fértil, recebeu oficialmente uma nova denominação em maio de 2026: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). Essa atualização científica de grande impacto foi publicada no periódico internacional The Lancet.
De acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a SOMP acomete entre 10% e 13% das mulheres em idade reprodutiva.
O novo termo SOMP reflete de maneira fidedigna a abrangência da condição. A inclusão do termo “poliendócrina” evidencia a desregulação de múltiplos eixos hormonais simultâneos; a classificação “metabólica” destaca o papel central da sensibilidade à insulina e do perfil lipídico; e o componente “ovariana” permanece pelo impacto direto exercido sobre a ovulação e a fertilidade. O processo de reformulação foi coordenado pela Professora Helena Teede, da Universidade Monash (Austrália), contando com a participação ativa da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Para assegurar a adaptação gradual de profissionais e pacientes, a sigla tradicional SOP continuará sendo aceita como termo de transição até 2028.
As manifestações clínicas da SOMP decorrem diretamente das alterações endócrinas e metabólicas, variando em intensidade conforme o perfil biológico de cada paciente:
Nota clínica: A SOMP está frequentemente associada a um risco aumentado de transtornos de ansiedade e depressão, exigindo acolhimento integral e suporte multidisciplinar para preservação da qualidade de vida.
A SOMP é consagrada como a principal causa de infertilidade feminina de origem ovulatória, sendo responsável por dificuldades de concepção em até 40% das mulheres acometidas. O desfecho anovulatório decorre do ambiente hormonal desfavorável: níveis elevados de androgênios circulantes, resistência periférica à insulina e desregulação na secreção do hormônio luteinizante (LH).
Sem a liberação periódica de um óvulo maduro, a janela fértil mensal torna-se escassa ou inexistente. É fundamental destacar que a SOMP não representa infertilidade irreversível; o quadro sinaliza a necessidade de acompanhamento especializado e de terapias personalizadas para restabelecer a função ovariana e viabilizar a gravidez de forma segura.
O processo diagnóstico permanece inalterado com a nova nomenclatura e fundamenta-se nos Critérios de Rotterdam, consolidados pelas diretrizes internacionais. O diagnóstico definitivo requer a presença de pelo menos dois dos três critérios a seguir, após a exclusão formal de outras enfermidades (como hipotireoidismo, hiperprolactinemia e hiperplasia adrenal congênita):
Atenção diagnóstica em adolescentes: Em pacientes jovens na fase pós-menarca imediata, a confirmação diagnóstica exige a presença simultânea dos três critérios, visto que a irregularidade menstrual e a aparência folicular ovariana podem ser fisiológicas nessa faixa etária.
A abordagem terapêutica para pacientes com SOMP que buscam a gestação é estruturada de forma escalonada e personalizada, respeitando as particularidades metabólicas de cada organismo:
O letrozol (inibidor da aromatase) é a terapia medicamentosa de primeira escolha, conforme preconizado pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e consensos globais. O fármaco apresenta taxas superiores de ovulação, gravidez clínica e nascidos vivos quando comparado ao citrato de clomifeno, além de menor incidência de gestações múltiplas. O citrato de clomifeno permanece como alternativa secundária válida. Em pacientes com resistência insulínica comprovada, a associação com cloridrato de metformina potencializa a resposta ovulatória.
Em casos de falha ou resistência aos agentes orais de primeira linha, indica-se o uso de gonadotrofinas injetáveis em doses baixas. O tratamento demanda acompanhamento ultrassonográfico seriado rigoroso para monitorar o crescimento folicular, prevenindo a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO) e gestações múltiplas de alta ordem.
A Fertilização in Vitro é indicada diante do insucesso das terapias de indução ovulatória, idade materna avançada ou presença de fatores concomitantes de infertilidade, como obstrução tubária e fator masculino. Em mulheres com SOMP, a FIV atinge excelentes taxas de sucesso mediante protocolos de estimulação com antagonista de GnRH e a estratégia de congelamento total de embriões (freeze-all), que elimina o risco de SHO. A transferência eletiva de embrião único (eSET) é fortemente recomendada para garantir a segurança obstétrica.
A busca por avaliação médica com ginecologista ou especialista em reprodução assistida deve ocorrer nas seguintes situações:
A intervenção precoce viabiliza a correção metabólica e a aplicação de terapias reprodutivas com altos índices de eficácia, resguardando o futuro reprodutivo da mulher.
A transição terminológica de SOP para SOMP reflete o aprofundamento do conhecimento científico sobre a natureza integrativa dessa condição, consolidando a importância do cuidado global sobre o sistema endócrino e metabólico. Para as mulheres com desejo reprodutivo, o diagnóstico preciso associado às condutas terapêuticas modernas — que abrangem desde intervenções no estilo de vida até as técnicas avançadas de FIV — permite contornar a disfunção ovulatória com absoluta segurança e excelentes prognósticos. O planejamento consciente e a assistência médica especializada permanecem como os pilares essenciais para a concretização da maternidade.
Postado por fiv em 07/out/2026 - Sem Comentários