Introdução
O dia 29 de agosto marca o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Mais do que uma data comemorativa, é um momento para reconhecer histórias, conquistas e diferentes formas de viver o amor e construir família.
Nos últimos anos, a presença de casais de mulheres na sociedade brasileira tornou-se cada vez mais visível. Segundo o Censo 2022 do IBGE, as uniões homoafetivas cresceram 728% em 12 anos, passando de 58 mil em 2010 para 480 mil em 2022. Entre elas, a maioria é formada por casais de mulheres. O Registro Civil de 2024 reforça essa realidade: foram mais de 12 mil casamentos entre pessoas do mesmo sexo, o maior número já registrado no país, sendo quase dois terços dessas uniões entre mulheres.
Por muito tempo, quando o assunto era maternidade, muitas mulheres encontravam mais dúvidas do que respostas. Hoje, a medicina reprodutiva oferece caminhos seguros e bem estabelecidos para transformar esse desejo em realidade. Neste artigo, vamos conversar sobre as possibilidades de parentalidade para casais de mulheres, os principais tratamentos disponíveis e os cuidados que tornam essa jornada mais tranquila e acolhedora.
Parentalidade e Diversidade Familiar
Família é construída de muitas formas. Mais do que laços biológicos, ela nasce do cuidado, da presença e do amor compartilhado ao longo da vida.
No Brasil, esse entendimento também avançou do ponto de vista jurídico. Desde 2017, o Provimento nº 63 do Conselho Nacional de Justiça permite que crianças nascidas em famílias formadas por duas mães sejam registradas diretamente em cartório com o nome de ambas, sem necessidade de adoção judicial. É um reconhecimento importante, que traz segurança jurídica e reflete algo que, para aquela família, já existe desde o início: a criança tem duas mães.
Esse reconhecimento vai muito além dos documentos. Ele fortalece vínculos, protege direitos e oferece à criança a tranquilidade de crescer sabendo que pertence, desde o nascimento, a uma família plenamente reconhecida.
Introdução aos tratamentos
Quando um casal de mulheres busca a reprodução assistida, normalmente existem dois desejos principais: tornar possível a gravidez por meio do uso de sêmen de doador e, em alguns casos, permitir que ambas participem ativamente da gestação.
Felizmente, a medicina reprodutiva oferece diferentes caminhos para isso. Não existe uma única forma de construir essa jornada — cada tratamento é escolhido de acordo com a história, os planos e as características de cada casal.
Método ROPA
O Método ROPA (Recepção de Óvulos da Parceira) ocupa um lugar especial entre as opções disponíveis para casais de mulheres. Nele, os óvulos de uma das parceiras são fertilizados em laboratório com sêmen de doador, e os embriões são transferidos para o útero da outra parceira.
Dessa forma, uma mulher participa com sua contribuição genética e a outra vivencia a gestação no seu próprio corpo. É uma possibilidade que permite que ambas façam parte do processo de maneira profundamente conectada, tornando a experiência da maternidade ainda mais compartilhada.
Cuidados e Orientações
A jornada começa antes mesmo do tratamento. A avaliação inicial inclui exames, análise da reserva ovariana, histórico de saúde e uma conversa cuidadosa sobre os objetivos do casal. Sempre que possível, as duas parceiras devem participar desse processo, independentemente de quem irá gestar.
Durante o tratamento, o acompanhamento próximo da equipe faz toda a diferença. Cada etapa é planejada e explicada com clareza, permitindo que decisões sejam tomadas com segurança. Também é um período em que o casal aprende a lidar com expectativas, ansiedade e emoções que naturalmente fazem parte do caminho.
E vale lembrar: uma tentativa não define o resultado final. Muitas vezes, a construção da família acontece passo a passo, exigindo tempo, confiança e perseverança.
Após a gestação, começam novos capítulos. Além do pré-natal e dos cuidados com a chegada do bebê, é importante garantir que o registro civil contemple o nome das duas mães e construir, de forma natural e afetuosa, a história de origem da criança — uma narrativa baseada em verdade, amor e pertencimento.
Considerações finais
A visibilidade lésbica também passa pelo reconhecimento do direito de sonhar, planejar e construir uma família.
Na FIV São Paulo, acreditamos que não existe um único modelo de maternidade. Existem histórias diferentes, trajetórias únicas e projetos de vida que merecem ser acolhidos com respeito, sensibilidade e excelência médica.
Nossa equipe acompanha cada casal desde os primeiros passos da jornada, oferecendo informação, suporte e cuidado em todas as etapas. Porque a ciência pode abrir caminhos, mas são os vínculos construídos ao longo deles que transformam o sonho da maternidade em realidade.
Postado por fiv em 28/ago/2026 - Sem Comentários